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| September 23, 2019

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Apenas Ciclovia não basta!

O texto abaixo foi retirado do site Vá de Bike assinado por Willian Cruz, decidimos reproduzi-lo porque concordamos com o posicionamento do Vá de Bike.

O Vá de Bike é contra ciclovias?

É o que chegam a pensar alguns leitores, como manifesta Henrique Barcelos em seu comentário, reproduzido abaixo ipsis litteris:

“Eu acho engraçado voces nõa terem uma campanha pró-ciclovias – não vejo nada – no entanto, nas imagens do blog, certas fotos só são possíveis em cidades com ciclovias – levar bebês em bikes? só em cidades com ciclovias – qual é o problema de vocês? Por que não param de ver que só camapanha por educação não basta? acham que vão educar a população brasileira? digamos que seja até possível – mas me diga: acidentes em vias rápidas existem mais em pistas compartilhadas ou segregadas? acho q nem preciso dizer nada né? há algo de errado com a postura de vocês, e as pessoas q clamam pos ciclovias já estão percebendo isso.”

A opinião do leitor claramente se baseia na leitura de um único texto, ou de alguns poucos que se referem apenas à lei do 1,5m.

Não há como negar a importância de ciclovias. Mas a solução para a bicimobilidade não pode se basear exclusivamente nelas. Muito menos em promessas de um futuro cheio de faixas vermelhas. Os ciclistas já usam as ruas agora e precisam ser protegidos. Para ontem.

Se fôssemos contra ciclovias, não publicaríamos textos como este, convocando a participar de uma Audiência Pública para cobrar a promessa de construção de uma ciclovia. Não faríamos uma cobertura tão grande da expansão da Ciclovia Rio Pinheiros, ressaltando sua importância para a cidade e reforçando sempre que ela deve ter mais acessos, para que possa ser cada vez mais utilizada. Não publicaríamos um artigo elogiando o fato de Aracaju ser recheada de ciclovias, uma denúncia sobre o atraso de 16 anos na construção da Ciclovia da Faria Lima, ou uma matéria destacando que a morte do ciclista Lauro Neri poderia ter sido evitada se a ciclovia da Eliseu de Almeida tivesse sido construída. Não faríamos matérias explicando como funcionam as ciclorrotas, nem apoiaríamos a Ciclofaixa de Lazer. Há tantos exemplos que este texto se tornaria maçante.

Ciclovias como solução única

A questão é que ciclovias, por si sónão resolverão magicamente o problema da mobilidade, a não ser que façam parte de um plano cicloviário completo e integrado, que permita o deslocamento do ciclista de forma segura por toda a cidade.

E aí entramos em um ponto crucial e tantas vezes citado pelos cicloativistas. É fisicamente impossível ter ciclovias em todos os 17 mil km de vias da cidade de São Paulo, ou em todas as vielas de qualquer que seja cidade, aqui ou na Europa. Nunca haverá uma ciclovia levando você da porta de casa até a porta do trabalho. E, quando você sair da ciclovia, precisará ser respeitado e reconhecido como veículo, com direito de utilizar as vias, não como um intruso que saiu do cercadinho e merece ser escorraçado para que aprenda a se comportar.

Ciclovias são importantes sim, justamente em vias rápidas, como bem lembra o leitor. Mas cada via, de acordo com suas condições e utilização, demanda um tipo de infraestrutura. Além disso, ciclovias demandam estudo, projeto, aprovação, licitação, obra, readequação do viário… às vezes até desapropriação. Ou seja, cadaciclovia demora bastante para sair. Veja o exemplo da ciclovia da Av. Faria Lima, em São Paulo, que está prevista há dezesseis anos e só agora as obras começaram.

Não podemos esperar que a cidade esteja cheia de ciclovias para só então colocarmos nossas bicicletas nas ruas – e, ainda assim, apenas onde as ciclovias existirem. Os ciclistas já pedalam nas cidades hoje, agora. E precisam ser protegidos.

Se permitirmos que se propague a cultura de que o lugar de bicicleta é só na ciclovia, estaremos fazendo com que o ciclista esteja em situação de risco toda vez que precisar sair dela. É o que já acontece em algumas cidades brasileiras, que apostaram no modelo único da segregação do modal.

A base precisa ser construída sobre respeito. E se esse respeito, previsto em lei, não for garantido, fiscalizado e punido, sempre que estiver circulando em local onde não exista ciclovia o ciclista continuará sendo visto como um transgressor que merece ser punido. E isso não podemos permitir.

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